* Muito muito muito tempo faz, em uma terra muito muito distante, uma garota que não era princesa e não casou com nenhum rei resolveu contar sua história. Animada escreveu a primeira página,mas uma história sem dragões ou madrastas cruéis (certo que esse papel poderia ser interpretado por sua irmã) não lhe parecia interessante e deixou essa idéia de lado. Hoje vasculhando nas coisas velhas,encontrou esse texto.
Não vou começar dizendo que eu era um bebe bonitinho por que isso no mínimo é hipocrisia( e pior me lembra aquela música irritante de Tiririca) não que eu fosse uma espécie de trubufu de fraldas mas eu sempre achei todo recém nascido feio. Essa é a verdade. Doa a quem doer, dizer que aquela coisa miudinha toda enrugadinha e outras infinidades de inhas é bonito no mínimo é ter uma cara de pau tamanho GG estilo Lula. Fora que os pais por aqui sempre ficam atemorizados ao saber que a sua cria foi elogiada já que isso pode resultar num quebrante, dependendo do olho mau da pessoa. Quando criança eu sempre pensei que ter um olho mau era ter alguma espécie de poder, imagina você olha para uma criança saudavél e depois ela começa a por os bofes pra fora era um poder de fazer inveja a muito super herói por aí. Por isso na minha infância perdi horas e horas treinando o meu olhar com as plantas para ver se elas murchavam. Treinei primeiro com o todo poderoso pião e querem saber o que aconteceu ? nada. O que concluí foi ou o meu olho não é de nada ou essa história é mais um mito. como o do lobisomem, sim podem acreditar nas brenhas do sertão interiorano que eu vim também tinha lobisomem que se encarnava em um pobre velhinho que mau podia com suas pernas. Para verem a capacidade de imaginção das pessoas que não tem o que fazer ese pobre velhinho contam nas noites de sexta feira de luar se deitava onde o jumento tinha sentado (a proposito eu nunca vi um jumento sentado) e virava no bicho fera,só que ao invés de atacar as pessoas ele atacava ferozmente os urubus para roubar a carniça que devorava com os seus potentes dentes caninos. Dá para acreditar?
Mas voltando a falar de mim, minha familia definiu meu carater no dia que eu mostrei minha habilidade em lançar. Ao inves de valorizar o meu talento e me inscrever em uma competição de dardos eu levei minha primeira surra aos cinco anos de idade. Depois de anos de terapia penso talvez que isso tenha acontecido por que lancei uma quenga a uma distancia incrivel a ponto de atingir em cheio a testa do meu irmão que brincava tranquilamente na outra margem do gango(uma especie de braço de rio) abrindo um corte de 10 pontos. A partir daquele dia diziam que eu era ruim. Namorido diz que sou traumatizada na infancia e agora uso essa desculpa sempre que faço algo de errado ou quero carinho.